Lamento desapontar, não sei o que é Twitter
Essa resposta era exatamente o que eu precisava ouvir.
Um dos maiores brasileiros de todos os tempos nos deixou no último dia de agosto de 2025. Estamos em outubro e ainda lembro do que aconteceu quando soube da notícia da morte do Verissimo. Foi um dia triste. Sou fã do Luis Fernando Verissimo provavelmente desde que aprendi a ler (Quem me conhece sabe que faz muito tempo).
Não sei se já comentei por aqui nesta Dia Sim, Dia Não, mas toda vez que ando sem muitas ideias do que fazer, escrever ou ler (é raro, mas acontece) leio alguma coisa Verissimo. Sempre encontro respostas para perguntas que não imaginava que tinha.
Com Verissimo passo pelo raro caso de lembrar de textos que li há muitos anos.
Tem aquela crônica que descreve um restaurante por quilo:
Ao redor de uma mesa de buffet o ser humano reverte ao seu protótipo mais primitivo: a fera diante do alimento
Aquela do sujeito que tem uma surpresa DAQUELAS
Deus nos livre de um dia acordar de ressaca, sair da cama e descobrir que estamos no palco do Teatro Municipal lotado
Impossível não citar a defenestração
Nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração. A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um certo tom lúbrico.
Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:
– Defenestras?
Gostava tanto do Verissimo que há muito tempo assisti a um show da Jazz 6, o menor sexteto do mundo, formado por cinco integrantes, só porque ele tocava sax lá. Nessa época, lá no início dos anos 2000, eu não entendia era quase nada de jazz. Quando estava na faculdade de jornalismo tive a honra de entrevistá-lo. Quer dizer, ele e Lúcia que fizeram a gentileza de responder algumas perguntas de um estudante, vamos falar a verdade.
Não tem um autor que me faça rir tanto quanto ele, inclusive com uma história bastante particular e que vou contar pela primeira vez no parágrafo a seguir.
Lá pelos idos de 2009, eu já passava o dia na internet mexendo com sabe se lá o quê. Lembro que lia muitos blogs, pesquisava coisas nas comunidades do Orkut e alimentava um dos meus vícios: o falecido Twitter.
Um dia surgiu um perfil do Verissimo por lá. Era uma arroba que postava com frequência, sempre trechos de crônicas, muitas publicadas naquela semana, algumas frases soltas. Obviamente eu achei tudo muito legal, parecia incrível a possibilidade do meu autor favorito estar na rede social escrevendo coisas legais, de repente algumas frases inéditas, quem sabe crônicas curtas em 140 caracteres. Podia surgir de um tudo.
Porém, conforme os dias foram passando, tudo me pareceu bem esquisito. Não parecia o Verissimo, mas dizia que era ele.
Conforme eu desconfiava mais, tive uma ideia brilhante.
Resolvi mandar um e-mail e perguntar se era ele. Claro que eu não tinha o e-mail do Verissimo. Mas dei meu jeito de encontrar. Qual não foi minha surpresa ao receber uma sucinta e inesquecível resposta: “Lamento desapontar, não sei o que é um Twitter. Abraços”.
Claro que naquele momento eu fiquei desapontado.
Mal sabia eu que anos depois essa resposta era exatamente o que eu precisava ouvir. Muito melhor que o contrário.
Imagine só o Verissimo no Twitter? Pra quê?
Só uma história dessas pra me fazer publicar essa humilde homenagem mesmo semanas após a morte dele.
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***PS:
Lembrando que essa é uma das coisas boas de se ter uma newsletter: poder escrever e publicar o que quiser, quando quiser.
***PS 2:
Chegaram novos assinantes da última edição pra cá. Deixo minhas boas vindas, agradeço o prestígio e lembro que por aqui só temos uma regra: Dia Sim tem post, em Dia Não nada acontece.
***DRAUZIO VARELLA DO DIA:
E vamos com a seção dedicada ao meu influenciador favorito.
Hoje resgatando uma conversa especial entre nosso médico Doutor Drauzio Varella e o Verissimo. Foi em 2017, mas segue bem atual, inclusive o debate sobre a punição para quem usa celular no cinema.
***LINKS PARA PREENCHER O VAZIO DA EXISTÊNCIA:
Toda edição eu separo alguns links para te ajudar a preencher alguma coisa. Hoje, não tinha outro jeito, top 4 homenagens de outras newsletters. Divirta-se.
***POR HOJE É SÓ
E tá ótimo. Essa foi a Dia Sim, Dia Não 194. A edição 195 vem aí, quando você menos esperar, ela vai chegar. Enquanto isso, leia as antigas como se fossem novas:
📧 odavirocha@gmail.com é o meu e-mail, caso você queira saber.







Ando tão atrasada nas newsletters, que só hoje cheguei nessa! Mas não faz mal: Verissimo sempre será atual, eterno. Esse e-mail tem que ser emoldurado <3
Acho que é o tipo de e-mail que vale a metalinguagem de ser impresso e virar um quadro, hein? (Pra tirar foto e postar no Insta, é claro)